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ESCOLA ESTADUAL DE SANTO ANTONIO DOS PRETOS ESTÁ TODA 'DESGRAÇADA'

O Centro de Formação Quilombola é uma escola de alternância. Quer dizer que os 81 filhos de lavradores que aqui estudam, do 1º ao 3º ano do Ensino Médio,  passam 15 dias como internos e 15 dias em suas casas.


Estão de férias, mas a denúncia dos estudantes, convocando a imprensa estadual,  foi  para mostrar que há muito tempo existe um descaso total para com a  escola que fica na comunidade tradicional remanescente de quilombo de Santo Antonio dos Pretos, zona rural de Codó.
A sala de informática é de entristecer qualquer cidadão. Virou depósito, vimos até galinha em cima de canos PVC, fios e um amontoado de  caixas. Os computadores nunca foram instalados, segundo o aluno  Gildean Silva Sousa, que fará o 3º ano.
“Tinha que ter um transformador pra poder instalar os computadores, aí ela disse que tinha mandado um ofício pra São Luís e que em breve chegava e até agora nunca apareceu esses computadores…DE 2014 PRA CÁ…nada de computador”, afirmou
DORMINDO NO CHÃO
Faz tempo também que os estudantes dormem no chão, em cima de colchões sujos, rasgados usado por cães e molhados. A estudante Geirlane Costa Moreira diz que há dois ano tem sido nestas condições.
“Nós dormimos no chão, não tem cama pra dormir, quando chove aqui enche de água…OS COLCHÕES ESTÃO MOLHADOS…Tão molhados…SUJOS…sujos…E NINGUÉM FAZ NADA? Ninguém faz nada (…) HÁ QUANTO TEMPO? Eu tô com 2 anos aqui, sempre nessa situação”, respondeu
LIXO NA DIRETORIA, DOCUMENTOS NO CHÃO

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Sala da Diretoria (foto feita em 13 01 2016)


A sala da diretoria está abarrotada de todo tipo de entulho. Na secretaria os armários ficam abertos e os alunos mostraram até documentos importantes expostos (A cópia de uma Certidão de Nascimento estava no chão junto com um documento com notas de um aluno).
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Documentos no chão e em armários abertos


Em julho de 2015 os vigias pararam de trabalhar por falta de pagamento, zeladoras e merendeiras também.
Daiane Andrade Santos denunciou que os alunos internos ficam sozinhos e muitas vezes já precisaram até cozinhar o almoço, a janta e a própria  merenda.
 “Alguns  professores dizem que não estão obrigados a ficar com a gente, quando termina a aula eles vão embora e a gente fica só, só com os companheiros…MAS NÃO DEVERIA SER ASSIM? Não deveria porque é uma escola por alternância (…) aí eles não ficam com a gente a gente fica a mercê”, revelou preocupada
Os alunos ainda não sabem quando o ano letivo de 2016 irá começar e até os pais  torcem para que a escola não feche. O ex-aluno Magno Leonardo Reis Lopes, que encerrou o Ensino Médio Técnico em Agropecuária ano passado, quer que outros filhos de lavradores também consigam ter esta formação e que a escola siga seu caminho.
 “Que ela siga o caminho dela e que o governo olhe pra esta escola com olhar crítico pra que ele possa ajeitar as condições em que ela está”, disse
Seu José Maximiano Sousa, o Cunça como é conhecido na região de SANTA Maria e Bom Jesus, já teve duas filhas formadas tecnicamente pela escola de alternância. também não deseja vê-la se acabar.
“Se uma escola dessa fechar, tira minha vida, me tira uma banda”, afirmou
Associações de moradores da região e até integrantes da Comissão Pastoral da Terra como professor Raimundo Moreira estão tentando sensibilizar o Governo do Estado por uma escola quilombola mais adequada aos filhos dos agricultores.
 “Que possa ter condições pros alunos estarem, de fato, aqui estudando e passando seus 15 dias aqui, com estrutura de banheiro, sala de aula, refeitório, local pra dormir e também que tenha a questão da responsabilidade dos alunos estarem na escola sem saírem pra todos os lados sem controle conforme os alunos afirmaram”, finalizou o professor
PALAVRAS DA GESTORA REGIONAL
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Gestora Regional de Educação, professora Fátima Falcão


Entrevistamos a Gestora Regional de Educação, professora Fátima Falcão. Ela disse já ter conhecimento da péssima situação da CEQFAAM e disse jogou toda a culpa no governo anterior, uma vez que já teria recebido a escola nas condições denunciada pelos alunos.
“Aquela escola não tem condições pro aluno, pro professor pra nenhum funcionário trabalhar numa situação daquela, lá não tem nada adequado pra funcionar um ano letivo, como já havia iniciado nós concluímos o ano”
“Sabemos a situação que tá a crise financeira, mas todos que visitaram se sensibilizaram, mas foi encontrado do governo anterior, nós não deixamos naquela situação ali”, disse
Sobre vigias e merendeiras, disse ter fé em Deus que tais profissionais estarão disponíveis este ano.
“As merendeiras também não encontrei nenhuma merendeira, mas nós já estamos providenciando, agora com essa mudança que está terceirizando com certeza nós já providenciamos isso aí pra o ano letivo com fé em Deus nós teremos os profissionais”
COMEÇA QUANDO?
O início das aulas, como imaginavam os alunos, está comprometido. A gestora informou que dificilmente o ano letivo começará em Santo Antonio dos Pretos no dia 1º de fevereiro, como está previsto para as demais escolas estaduais.
“Se tivesse condições começaria dia 1º de fevereiro, mas como não tem condições, provavelmente, CEQFAAM vai entrar em reforma, como eu falei lá não tem nada que se aproveite talvez não inicie dia 1º de fevereiro, mas logo quando for resolvido a questão nós avisaremos quando iniciar”, afirmou
blog do Acélio

Categoria: Notícias

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