Blog da Ramyria Santiago -

EM CODÓ O FAMOSO MUNDO DAS LICITAÇÕES: COXINHA DE R$ 50,00  REAIS CONTRA  SALGADO BOMBA DE 8,20.

O historia de ações nada republicanas na administração do município de Codó causa espantos quando os lados que sempre estiveram à dianteira de sua gestão, seja no Executivo ou no Legislativo (que adoram andar harmonicamente por questões de interesses sempre pessoais) se chocam.

Na atualidade vivemos um choque desta magnitude.

Um dos protagonistas desta história é Domingos Reis que, em resumo, integrou o chamado Bloco Independente com os colegas Maria Paz, Leonel Filho e Júnior Oliveira. Estes o abandonaram na metade do caminho, voltaram para o seio do governo Nagib e só Dominguinhos ficou chupando dedo.

Demonstrando-se indignado com a traição, ele esqueceu-se que havia perdido a capacidade de interpretar o verdadeiro papel de um vereador  enquanto era aliado de Nagib e agora parece ter acordado.

Acordou movido por um sentimento arrebatador que o faz debruçar-se horas e horas sobre documentos complexos e sobre um emaranhado de indícios de provas que envolvem milionárias licitações da gestão atual, pra lá de suspeitas, e, a partir desta dedicação, distribuir denúncias e representações junto à outros órgãos de fiscalização externa como Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado (digo outros uma vez que a Câmara, que ele também representa, é, por natureza, o primeiro destes órgãos fiscalizadores e, atualmente, por decisão do STF, o mais poderoso deles, pois é quem pode até fazer o prefeito perder o mandato sem a burocracia judicial).

Na sessão ordinária de terça-feira, 30, Domingos Reis foi o centro das atenções. Leu uma denúncia formalizada ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado e, usando todo o seu poder de comunicação, revelou fatos sobre o intrigante submundo das licitações que envolvem o fornecimento de lanches à Secretaria Municipal de Assistência Social desde o ano passado.

Frisou que a única vencedora de licitações para fornecimento de gêneros alimentícios e  de lanches na gestão atual foi criada em 07/04/2016, um ano antes do início do  governo de Francisco Nagib.

DOMINGOS REIS,
Fala da J. F de Oliveira e Cia Ltda, anteriormente NMF  de O. Quiroga e Cia Ltda., cujo nome de fantasia (aquele que fica na fachada da Loja) é Mundo FIT. Somou o valor dos contratos assinados nos dois últimos anos  e descobriu que o montante, espantosamente, passa de R$ 10 milhões.

“A soma de todos os contratos firmados entre a Prefeitura Municipal de Codó e a empresa Mundo FIT alcançam o inacreditável montante de R$ 10.718.935,08”, disse na Tribuna da Casa ironizando os números.
Para este ano, 2019, a mesma empresa já ganhou outra licitação de quase R$ 2 milhões, elevando o valor para R$ 12.557.435,08.


Domingos Reis também denunciou os preços praticados por unidade exemplificando com  misto quente, salada de frutas,  salgado bomba, pizza brotinho e cafezinho com bolo.

“A secretaria de Desenvolvimento Social está pagando R$ 7,70 para cada misto quente com um copo de suco ou cachorro quente com copo de suco ou bolo de milho com café. Está pagando também o valor de R$ 7,85 para cada salada de frutas com água, está desembolsando ainda o valor de R$ 8,20 para cada salgado bomba, com refrigerante ou pizza brotinho com refrigerante, o que salta aos olhos é que a quantidade de lanches contratados para 2019 chega a R$ 196.000 unidades, só este ano”

Ninguém pode negar que ao fazer isso qualquer vereador presta um grande serviço ao povo codoense, não importa que seja Domingos Reis com todo o seu histórico de vai-e-vem dos governos que apoiou e depois largou ou foi largado.

O LADO B DO SUBMUNDO

Mas quando se entra em choque os dois lados precisam estar cientes de que, certamente, a resposta, uma espécie de efeito colateral,  vem à galope, para o parlamentar do KM 17 isso não demorou nem 24h.

O governo fez chegar à mídia eletrônica uma nota fiscal da empresa SHOCK MODA E ACESSÓRIOS de propriedade de uma sobrinha do vereador que nada tem a ver com a briga atual, mas acabou aparecendo numa situação, no mínimo, digna também de investigação.

A resposta veio quase que imediatamente ao fechar da  boca do parlamentar  na Câmara.  A nota fiscal  é  datada do dia 02 de dezembro de 2016, quando administrava o município já em clima de despedida o ex-prefeito Zito Rolim.

A nota mostra que a prefeitura comprou 479 coxinhas e pastéis, até aí nada de espantoso. Mas os olhos de todo ser humano se esbugalham quando observa-se o valor da unidade do tal pastel ou coxinha vendidos em dezembro de 2016, cada unidade custou  R$ 50 aos cofres públicos.

No total, foram efetivamente pagos R$ 23.950,00.

SANGRIA INSANA

É uma pena estar na condição de ser codoense e, ao mesmo tempo, na obrigação de relatar aos nossos leitores uma verdade avassaladora que há por trás destas divulgações.

A briga política entre o vereador Domingos Reis e o prefeito Francisco Nagib nos revela, em migalhas (pois o buraco é gigante) que o município de Codó é uma fonte inesgotável para todo tipo de negociações absurdas encobertas pelos acordos políticos e pela inércia dos órgãos fiscalizadores, entre os quais a própria Câmara que só funciona quando possui maioria na oposição.

E não é de hoje que ouvimos falar destas licitações.

No governo de Ricardo Archer, seu opositor Biné Figueiredo revelou numa reportagem investigativa da época que havia um tal ARROZ À ESPANHOLA que na década de 1990 era vendido à prefeitura de Codó por mais de R$ 7 o quilo (quase 20 anos depois ainda não temos um quilo de arroz tão caro).

As licitações são feitas dentro do que determina lei, a forma de execução dos contratos com os preços que são praticados é que são dignos de investigação, são preços unitários negociados como se vivêssemos num país de super inflação.

E o que será que leva nossos administradores a pagarem com o dinheiro do contribuinte (nós cidadãos) aquilo que jamais pagariam se estivessem lidando com o dinheiro deles, ganhado com suor e labor próprio?

Quem em sã consciência pagaria na década de 1990 R$ 7 num quilo de arroz (mesmo à ESPANHOLA)? Quem vai numa lanchonete hoje  e tira R$ 8,20 para pagar um salgado bomba e quantos prefeitos tirariam do próprio bolso para dar R$ 50 num pastel?

Acho que nenhum.

Então, qual é o objetivo desta irresponsabilidade?

QUE DEUS SALVE A AMÉRICA e tenha piedade de todos nós codoenses, vítimas maiores desta sangria insana.

Por Acelio Trindade

Categoria: Notícias

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